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» » Novo secretário do RJ diz que frase polêmica foi para ironizar 'cura gay'

'Garrafa que levou querosene não perde o cheiro', disse Paulo Melo em 1999.
Antecessor dele foi exonerado justamente por defender teoria de 'correção'.
O novo secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio, Paulo Melo (PMDB), se defendeu da acusação do suposto deboche a homossexuais em uma fala no plenário em 1999, quando era deputado estadual. Recuperada pelo jornal EXTRA, a frase foi dita no dia 14 de dezembro daquele ano: "Garrafa que levou querosene não perde o cheiro jamais". Ele ainda sugeriu que os gays passassem pelo "teste da farinha".

Melo disse ao G1, nesta sexta-feira (19), que o discurso foi feito para "defender a causa" dos homossexuais e ironizar opositores da bancada religiosa que defendiam a "cura gay" já naquele tempo. Antecessor de Melo, Ezequiel Teixeira (PMB) é membro da bancada religiosa no Congresso Federal e foi exonerado justamente por defender a teoria corretiva.

"No momento em que a gente discute uma causa tão séria recuperam uma frase fora do contexto. Quem dizia esta frase era um homossexual da minha cidade, barbaramente assassinado. Ele me visitava frequentemente, pediu para que eu a usasse e, no dia do debate, pessoas [da oposição] diziam [no plenário] que tinha cura, tinha um ex-pastor que dizia isto. Isto não existe, [a orientação sexual] é uma opção. Aí falei isto: 'Garrafa que levou querosene não perde o cheiro', mas falei para defender a causa [gay]", disse.

Deputado afastado das funções, Paulo Melo foi um dos defensores de uma lei sancionada no ano passado que pode punir agentes públicos e estabelecimentos que cometam discriminação. Quando o projeto ainda estava sendo votado, Melo chegou a atacar a bancada evangélica. .

"Sabemos que a fonte estimulando o preconceito vem de algumas denominações evangélicas (...) A discriminação é assumida, em nome de uma interpretação falsa dos livros religiosos", disse no dia 26 de junho do ano passado.

Ao G1, o novo secretário citou a Suprema Corte dos Estados Unidos, considerada conservadora, mas na vanguarda dos direitos de homossexuais. Ele discordou ainda de seu antecessor, que considerava a homossexualidade uma doença como "Aids e câncer", diferentemente de um parecer da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 1990.

"Doença é vício em droga, câncer, Aids, tuberculose. Sexualidade é opção. Ninguém conhece mais a sensibilidade do seu corpo, do seu direito, do seu prazer do que a própria pessoa >>>>Click leia mais

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