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» » PF prende ex-senador Gim Argello por corrupção na CPI da Petrobrás

Cem policiais federais cumprem 14 mandados de busca e apreensão, 1 de prisão preventiva, 2 de prisão temporária e 4 mandados de condução coercitiva em São Paulo, Rio de Janeiro, Taguatinga e Brasília 28ª fase da Lava Jato

Atualizada às 9h55

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 12, a Operação Vitoria de Pirro, 28ª etapa da Lava Jato. O ex-senador Gim Argello foi preso preventivamente. Endereços do ex-parlamentar foram revistados. Dois assessores que trabalharam com ele também são alvo da operação.

Na Vitoria de Pirro, cem policiais federais estão cumprindo 21 ordens judiciais, sendo 14 mandados de busca e apreensão, 1 mandado de prisão preventiva, 2 mandados de prisão temporária e 4 mandados de condução coercitiva. As medidas estão sendo cumpridas nos municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Taguatinga e Brasília.

Gim Argello é um dos poucos políticos com interlocução no Palácio do Planalto e com acesso direto a todas as lideranças partidárias. No Senado, ganhou a confiança do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do senador Romero Jucá (RR), atual presidente interino do PMDB, que o apadrinharam.

A aproximação com a presidente Dilma Rousseff veio ainda quando ela era ministra da Casa Civil do governo Lula. Gim se mudou para uma casa próxima a usada pela petista na época e ficava na espreita aguardando ela sair para caminhar forçando um encontro “casual” na rua. A “amizade” e sua atuação sempre disposta a agradar o interlocutor ajudaram a conquistar a confiança de senadores experientes ao recém chegado colega. Gim chegou ao Senado em 2007 como suplente de Joaquim Roriz (PRTB). Assumiu o cargo em definitivo sete meses depois da posse com a renuncia do titular para escapar de processo de quebra de decoro parlamentar após não conseguir explicar o recebimento de valores milionários.

Segundo a PF, as investigações apuram a existência de indícios concretos de que destacado integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada no Senado Federal e também da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instaurada no Congresso Nacional, ambas com o objetivo de apurar irregularidades no âmbito da Petrobrás S/A no ano de 2014, teria atuado de forma incisiva no sentido de evitar a convocação de empreiteiros para prestarem depoimento, mediante a cobrança de pagamentos indevidos travestidos de doações eleitorais oficiais em favor dos partidos de sua base de sustentação. As duas CPIs foram criadas após o Estado revelar que a presidente Dilma Rousseff votou a favor da compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), quando presidente do conselho de administração da Petrobrás. O negócio é considerado um dos piores da história da empresa.

Em depoimento de delação premiada, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) afirmou que integrantes da CPI mista da Petrobrás, encerrada em 2014, recebiam propina em dinheiro vivo para evitar a convocação de empreiteiros investigados na Lava Jato. O senador citou Gim Argello (PTB-DF), então vice-presidente da comissão, como integrante do núcleo responsável pelo achaque.

Delcídio contou que reuniões semanais eram feitas entre os congressistas e os executivos para discutir requerimentos “sensíveis” da CPI e a estratégia para derrubá-los. Os encontros ocorreriam nas noites de segunda-feira, alguns na casa de Gim. O petebista seria o coordenador do grupo que pedia dinheiro a empreiteiros.

O diretor financeiro da UTC Engenharia, Walmir Santana, outro delator da Lava Jato, afirmou que Gim Argello atuaria para que o empreiteiro Ricardo Pessoa não fosse chamado a depor na CPMI da Petrobrás em 2014. Em contrapartida, Ricardo Pessoa faria contribuições em favor de pessoas indicadas por Gim Argello.

A força-tarefa da Lava Jato afirmou nesta terça-feira, 12, que ‘foram colhidas evidências’ de que o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) recebeu propina de R$ 5,35 milhões das empreiteiras UTC e OAS.

Os procuradores identificaram em mensagem enviada em 14 de maio de 2014 (data da instalação da CPI da Petrobrás no Senado) a executivos do Grupo OAS, que Léo Pinheiro solicitou que fosse feito pagamento no valor de R$ 350 mil para a conta bancária de uma paróquia do Distrito Federal.

De acordo com a força-tarefa, nas mensagens, o pagamento à paróquia é associado a pessoa de alcunha “Alcoólico”. A identificação de “Alcoólico” como sendo Gim Argello, num trocadilho com a bebida “Gim”, ‘foi evidenciada em troca de mensagens de Léo Pinheiro com Otávio Marques de Azevedo, presidente do Grupo Andrade Gutierrez, outra das empreiteiras envolvidas no pagamento de propinas a agentes da Petrobrás’.

Vitoria de Pirro remete a expressão histórica que representa uma vitória obtida mediante alto custo, popularmente adotada para vitórias consideradas inúteis. Em que pese a atuação criminosa dos investigados no sentido de impedir o sucesso da apuração dos fatos na CPI/Senado e CPMI/Congresso Nacional, tal fato se mostrou inútil frente aos resultados das investigações realizadas no âmbito da denominada Operação Lava Jato.

Os fatos investigados nesta fase apuram a prática dos crimes de concussão, corrupção ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Os presos serão encaminhados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba/PR enquanto aqueles conduzidos para depoimentos serão ouvidos nas respectivas cidades onde forem localizados.

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