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» » Governo recua e Cultura fica mesmo com Ministério da Educação

Órgão ligado à Presidência foi cogitado; titular do setor será mulher

BRASÍLIA - Depois de estudar transformar a Cultura em uma secretaria ligada diretamente à Presidência da República, o presidente Michel Temer decidiu que a área ficará, de fato, sob o guarda-chuva do Ministério da Educação, que passará a ser chamado de Ministério da Educação e Cultura (MEC).

O novo governo e o ministro Mendonça Filho sofrem pressão da classe artística e dos funcionários da antiga pasta desde a posse, na última quinta-feira. Por isso, foi ventilada a criação de uma secretaria vinculada à Presidência da República, a ser comandada por uma mulher com trânsito na área, mas a ideia foi descartada. Para a área de Cultura dentro do MEC, o governo busca uma mulher.

Se a Cultura fosse vinculada à Presidência, os salários dos servidores aumentariam em até 50%. Esta conta, segundo um auxiliar próximo a Temer, fez o governo desistir: em meio a fusões e extinções de pastas, elevar vencimentos não seria um bom sinal.

— Há uma pressão muito grande dos setores, mas já está decidido que é Ministério da Educação e Cultura — frisou ontem uma fonte do governo.

TITULAR MULHER É RESPOSTA A CRÍTICAS

Temer pediu a Mendonça Filho que procure um nome “da mais alta qualificação” para a Secretaria da Cultura e que seja uma mulher, já que há uma evidente carência de quadros femininos no atual governo.

O novo ministro, que tomou posse sob protestos de funcionários ligados à área da Cultura, disse que até terça-feira o governo pretende anunciar, oficialmente, quem será a responsável e qual a estrutura do novo órgão que substitui o antigo ministério.

Mendonça Filho disse que algumas conversas ainda estão em curso e que não quer adiantar nomes ou detalhes sobre a hierarquia administrativa do órgão até que tudo esteja bem definido. Segundo Mendonça, a ideia é garantir que as ações e programas continuem, independentemente da estrutura a ser adotada.

A escolha de uma mulher para comandar a Secretaria é uma determinação de Temer, que quer mais mulheres no segundo escalão do governo, para responder às críticas de que nomeou um Ministério essencialmente masculino.

A fusão do Ministério da Cultura, com o da Educação tem sido alvo de manifestações de repúdio. No dia do encontro com servidores da pasta, o ministro Mendonça Filho foi hostilizado pelos servidores da pasta extinta.

— O governo vai decidir a estrutura da secretaria, sua vinculação e o nome que a conduzirá. Até o início da semana, devemos ter uma definição sobre isso — disse Mendonça Filho.

O nome da ex-secretária de Cultura do Rio de Janeiro no governo Sérgio Cabral, Adriana Rattes, é um dos que vem sendo cotado para a secretaria.

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